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CDB prefixado, pós-fixado ou IPCA+: qual escolher e como o CDI influencia
Entenda as três formas de remuneração do CDB, a relação entre CDI e Selic e como decidir entre prefixado, pós-fixado e IPCA+ conforme o cenário de juros.
Por Central CDB ·
Ao comparar CDBs, a primeira coisa que aparece é a forma de remuneração: "110% do CDI", "14% a.a." ou "IPCA + 7%". Cada uma se comporta de um jeito diferente quando os juros e a inflação mudam. Entender essa diferença é o que separa uma escolha consciente de um palpite.
O que é o CDI e por que ele importa
O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é a taxa média dos empréstimos de curtíssimo prazo que os bancos fazem entre si. Ela é calculada diariamente pela B3 e segue de perto a Selic, a taxa básica de juros definida pelo Copom, o comitê de política monetária do Banco Central.
Na prática, o CDI fica um pouco abaixo da Selic. Em novembro de 2026, por exemplo, a meta da Selic está em 13,75% ao ano e o CDI em 13,65% ao ano, segundo o Banco Central. Quando o Copom sobe ou corta a Selic, o CDI acompanha em poucos dias — e todos os CDBs pós-fixados mudam de rendimento junto.
CDB pós-fixado: acompanha os juros
O CDB pós-fixado paga um percentual do CDI. Se o título paga 110% do CDI e o CDI está em 13,65% ao ano, o rendimento bruto anualizado fica em torno de 15%.
O nome "pós-fixado" vem do fato de que você só sabe o rendimento exato depois: se a Selic subir, o CDB passa a render mais; se cair, rende menos.
Quando faz sentido:
- Reserva de emergência e objetivos de curto prazo, principalmente em títulos com liquidez diária.
- Cenários em que se espera que os juros fiquem altos ou subam.
- Quando você não quer apostar na direção dos juros.
Como comparar: quanto maior o percentual do CDI, melhor — desde que o prazo, a liquidez e o risco do emissor sejam parecidos. Um CDB de liquidez diária a 100% do CDI costuma ser uma boa referência mínima.
CDB prefixado: a taxa é travada
No prefixado, a taxa é definida no dia da compra. Um CDB de 14% ao ano por dois anos transforma R$ 100.000 em cerca de R$ 129.960 brutos no vencimento, independentemente do que acontecer com a Selic.
Essa previsibilidade é a principal vantagem — e também o principal risco:
- Se os juros caírem depois da compra, você ficou com uma taxa acima do mercado. Ótimo negócio.
- Se os juros subirem, outros investimentos passam a pagar mais e você fica preso a uma taxa menor até o vencimento.
Quando faz sentido:
- Quando há expectativa de queda dos juros nos próximos anos.
- Para objetivos com data e valor definidos, como pagar uma entrada daqui a dois anos.
Como comparar com o pós-fixado: estime qual seria o CDI médio no período. Se o prefixado paga mais do que o CDI médio esperado, ele tende a ser vantajoso. As projeções de mercado para a Selic são publicadas semanalmente pelo Banco Central no Boletim Focus e servem como referência.
CDB IPCA+: proteção contra a inflação
O CDB IPCA+ paga a variação da inflação oficial (IPCA) mais uma taxa fixa. Em um título de IPCA + 7% ao ano, se a inflação do período for 4,58% — o acumulado em 12 meses até setembro de 2026, segundo o IBGE — o rendimento bruto do ano fica em torno de 11,9%.
A grande vantagem é o ganho real garantido: aconteça o que acontecer com a inflação, você recebe a taxa fixa acima dela.
Quando faz sentido:
- Objetivos de longo prazo, como aposentadoria ou estudos dos filhos.
- Quando a preocupação principal é manter o poder de compra.
Cuidados: CDBs IPCA+ costumam ter prazos longos e liquidez apenas no vencimento. Também costumam pagar juros semestrais em alguns casos, o que antecipa a cobrança de IR.
Comparando os três lado a lado
Com R$ 100.000 aplicados por dois anos, considerando CDI constante em 13,65% e IPCA de 4,58% ao ano, os rendimentos líquidos (IR de 15%) ficariam aproximadamente assim:
- Pós-fixado a 110% do CDI: R$ 27.634
- Prefixado a 14% ao ano: R$ 25.466
- IPCA + 7% ao ano: R$ 21.435
Neste cenário específico, o pós-fixado venceu porque o CDI está alto. Se a Selic cair ao longo dos dois anos, o resultado pode se inverter a favor do prefixado. E se a inflação acelerar, o IPCA+ ganha força. Não existe vencedor permanente: a escolha depende do cenário que você espera e do seu objetivo.
Como as taxas aparecem na Central CDB
Na Central CDB cada modalidade tem uma cor e uma unidade própria, para evitar confusão:
- Pós-fixado: "118,00% do CDI"
- Prefixado: "14,50% a.a."
- IPCA+: "IPCA + 7,20% a.a."
Na página inicial você vê a maior taxa de cada modalidade no dia e os dez bancos que mais pagam. Na análise de mercado é possível acompanhar como as taxas médias de cada tipo evoluíram ao longo do tempo — um bom termômetro para saber se uma oferta está acima ou abaixo da média.
Uma estratégia simples: combinar os três
Muitos investidores não escolhem apenas um tipo. Uma divisão comum é:
- Pós-fixado com liquidez diária para a reserva de emergência.
- Prefixado para objetivos de médio prazo com data marcada.
- IPCA+ para o longo prazo.
Assim você não depende de acertar a direção dos juros. Veja outras formas de montar a carteira no artigo sobre estratégias de alocação em CDB.
Resumo
- O CDI segue a Selic e é a referência dos CDBs pós-fixados.
- O pós-fixado acompanha os juros; o prefixado trava uma taxa; o IPCA+ protege da inflação.
- Compare sempre o rendimento líquido no mesmo prazo — use o simulador para isso.
Dados de referência: Selic 13,75% a.a. e CDI 13,65% a.a. (Banco Central, 04/11/2026); IPCA acumulado em 12 meses de 4,58% (IBGE, setembro de 2026). Simulações ilustrativas, com taxas constantes.